Arnold Barboza Jr sagrou-se mais um campeão interino

Jorge Luiz Tourinho
19 de Fevereiro de 2025
Já se perdeu, faz tempo, o conceito do interinato e sua forma de aplicação. No sábado 15 de fevereiro assistimos outro grande evento no Reino Unido, dessa feita em Manchester, Inglaterra. Parece que a praga do saudoso Julio Ernesto Vila veio se alastrando pelo mundo do Boxe. Escrevia o grande jornalista e excepcional classificador do WBC que, de tantos títulos em disputa, não haveria combate que não valesse um.
Cinturão interino dos super leves da WBO. O campeão é o conceituado Teofimo Lopez (21-1) que não luta desde 29 de junho do ano passado quando venceu em decisão unânime ao canadense Steve Claggett (38-8-2). Ora bolas, havia uma norma nos anos 90 adotada pela WBA e pelo WBC segundo a qual o dono da faixa deveria expô-la em até 8 meses após a conquista ou a manutenção. É o que me lembro, tomara que não esteja "xarope".
Ao que tudo indica, os apoderados de Lopez estão trabalhando nos bastidores por uma super luta para enriquecê-lo de vez. Nada de errado nisso. A questão é que a WBO não pode ficar esperando a boa vontade deles. Se nenhuma contusão ou outra causa que impossibilite de boxear for apresentada, o cinto deveria ser considerado vago e os dois melhores colocados no ranking lutariam por ele.
Enfim, todos os organismos dançam conforme querem os promotores. Daí houve a péssima luta entre Arnold Barboza Jr (32-0) e Jack Catterall (30-2). Depois de doze terríveis assaltos a vitória sorriu para o norte-americano pois não haveria como os dois saírem derrotados. Protagonizaram um lamentável rame-rame sem nenhuma intensidade que me fez dormir. Assisti ao combate completo na manhã de domingo.
De dificílima marcação o cotejo surpreendeu meu ídolo Servílio de Oliveira que sempre cita o fator casa como importante para que alguém tenha o braço levantado. Onde existem juízes formados nos cursos do professor Paulo Godinho ou gente com a mesma mentalidade isso não ocorre. Enfim, a decisão dividida se deu com os escores de 115-113 Leszak Jankowiak e Patrick Morley e 113-115 Marcus McDonnell. Anotei vitória do britânico, assim como Servílio, em 116-112.
Permitam-me fazer uma observação aos profissionais da ESPN a emissora que nos brinda com muitas jornadas excelentes. Não é uma crítica. Quem sou eu para criticá-los? Não sou ninguém. Amigo não é aquele que fica batendo palmas e/ou elogiando qualquer coisa que seu amigo faça. Amigo é aquele que pensa e até mesmo mostra o erro para o seu amigo. Não digo que a excelente rapaziada da ESPN tenha cometido erro.
Por favor, peço a todos que tenham voz nas transmissões dos canais Disney, ou melhor, imploro a eles que se calem quando o apresentador de ringue esteja anunciando o combate. Deixem-nos ouvir os dados dos guerreiros e da luta. Por favor, não nos atrapalhem.
Peço desculpas aos dois amigos que tenho na ESPN. Depois que operei o câncer no pescoço não vou deixar de dar sugestões. Vamos melhorar as transmissões!
Preliminar que assisti na íntegra:
Títulos britânicos e da Comunidade Britânica dos super penas
Reece Bellotti (20-5) TKO10 Michael Gomez Jr (21-2)

Outro combate sofrível para ser válido por esses importantes cinturões. Completamente desequilibrado tornou-se uma sova do agora campeão sobre um oponente bravo e lutador, mas sem nenhuma lucidez. Bellotti bateu à vontade, não derrubou, e o negócio foi até o décimo capítulo. Ou até o nono, como queiram. O abandono pelo treinador fez-se necessário no intervalo. Na minha opinião Gomez não ganhou nenhum episódio e foi derrubado em dois deles. Nenhum dos dois chegará ao campeonato mundial.
Imagens: Fightmag e Boxing News