Maximum Boxing Fight

17/03/2025

Jorge Luiz Tourinho

17 de Março de 2025

Imagem: YouTube

Talvez o assunto esteja encerrado depois do excelente artigo do extraordinário colunista do Globo Esporte Daniel Bergher Fucs, titular do Blog do Daniel Fucs.

Atrevo-me a fazer algumas observações no intuito de contribuir com a modalidade que amamos. Repito: amigo não é aquele que tenta tapar o sol com a peneira; é aquele que mostra o caminho caso ache que seu camarada está na trilha errada.

Um grande, bem trabalhado e muito bem montado programa foi realizado na Arena Maximum em São Paulo, SP, pelos Irmãos Oliveira na tarde do sábado 15 de março. Foi o tipo da coisa que poderia ter ido para a TV. Foi transmitido pelo canal Youtube MaximumMuayThai. Ainda bem!

Fomos informados pelo próprio organizador Ivan de Oliveira (falou depois do intervalo) que se tratava de um evento fechado. Daí, entendi que não houve venda de ingressos e o público foi composto de convidados. É possível ter sido uma mostra do que eles poderão fazer com o Boxe com as parcerias que permitiram o show acontecer.

Ressalto a belíssima homenagem às diversas boxeadoras presentes e a alguns ex-boxeadores como Adílson Rosa. É algo que nos emociona e deve ser seguido quando possível.

Em que pese a qualidade técnica do espetáculo, é necessário que se entenda que um atraso de 45 minutos é inaceitável em qualquer situação. Imaginem haver um acordo com um dos canais esportivos. Existem grades de programação que devem ser respeitadas a todo custo.

Eu era um defensor da veiculação dos eventos de Boxe brasileiro pelos canais que passam todo tipo de porcaria esportiva. Depois desse atraso, cheguei a conclusão que, nesta década, não assisti a nenhum programa que tenha começado na hora marcada. Portanto, desisto da defesa que fiz até aqui.

Em relação às lutas, a análise do acontecido está no Blog do Daniel Fucs. Vou cansá-los com algumas observações ainda no sentido que melhorem da próxima vez.

Existem, pelo mundo afora, os Matchmakers que são os casamenteiros ou emparceiradores dos combates. Sua função é produzir choques entre atletas do mesmo nível para que as lutas sejam equilibradas. Não sei se esse profissional trabalhou para o evento em questão. A verdade é que as lutas entre profissionais foram completamente desiguais e de nada serviram para o aprendizado e para a evolução dos vencedores.

Hoje, o indispensável site Boxrec não deixa mais ninguém tentar inventar a roda. Está tudo lá, ou deveria estar. Cartéis e oponentes. Basta consultá-lo para evitar dissabores. Contudo, não basta ter o mesmo número de lutas. É preciso o olhar experiente para saber se a campanha como amador deve ou não ser levada em conta.

A luta final foi entre super galos. Rubens Diego "Manchinha" dos Santos (15-1) destruiu (TKO5) José Fanfán (12-5). Discordo daqueles que escreveram que o brasileiro venceu um "grande" lutador. Nada disso! Um boxeador medíocre que fazia campanha como super mosca e que se transformou num saco de pancadas vivo. Sinceramente, perdoem-me, o cotejo não deveria nem ter chegado ao fim do quarto assalto (o treinador abandonou no intervalo para o quinto tempo). Manchinha esbordoou o venezuelano de todas as maneiras, mas não o derrubou.

Seus treinadores deverão ensiná-lo a tomar o centro do ringue e fazer a caça andar em sua volta. Não é para o caçador ficar andando atrás zanzando pela lona. Enfim, Manchinha é o décimo galo da FEDELATIN e estava, antes dessa luta, na posição 91 do mundo e na posição 7 da América do Sul no renomado sítio Boxrec. Não sei se ainda mantém o cinturão da FECONSUR WBC (galo). Farfán era o número 189 do mundo entre os super moscas. Só essa pesquisa já poderia deixar claro quem era o franco favorito.

O primeiro embate foi entre leves. Tarsis Santana "Tarzan" Lopes (3-0) demoliu Gabriel Segalla Lima (1-2) no primeiro capítulo. Com melhor linha, dominou a derrubou seu rival duas vezes para fazer o árbitro Marcos dos Reis encerrar a festa. Serviu apenas para somar um na coluna da esquerda do seu recorde.

O segundo e semifinal foi entre cruzadores. Alguém estourou o peso dos meio pesados. Foi uma piada. Um chiste de péssimo gosto. Ricardo Cândido Filho (2-0), que deve ser observado e ter outras oportunidades com oponentes de melhor nível, aniquilou Matheus Meireles dos Santos (3-3). Encurtou, bateu e… primeiro KD. Sinal de combate, encurtou, bateu na cintura, caiu definitivamente. KO1. Não dá. Lamentável. Quem sobe ao ringue, quer ganhar algum dinheiro, é claro, mas não pode deixar a vontade de triunfar fora do quadrilátero.

Enfim, oxalá não arrume mais nenhum inimigo...