Órgão regulador: lutas de famosos não são boxe profissional

Fonte: Globo Esporte - RJ
Imagem: Lorena - R7
A Associação de Comissões de Boxe e Esportes de Combate (ABC, na sigla em inglês), órgão que reúne as principais entidades regulatórias de lutas nos EUA, divulgou nesta quarta-feira (12) um comunicado no qual especifica a definição de uma luta profissional de boxe. A ideia por trás do documento é traçar uma divisão clara entre o que é considerado boxe profissional e o que é uma luta de exibição, frente à explosão das lutas de boxe entre celebridades.
"É a concepção da Associação de Comissões de Boxe que, para uma luta pugilística ser chamada de ''boxe profissional'', um evento precisa respeitar certos critérios que incluem requerimentos médicos mínimos, duração de um assalto, padrões de julgamento, tamanho de luva e classificações de peso", diz o comunicado.
"A ABC, nas Regras Unificadas publicadas, definiu que uma luta de boxe é aquela em que cada round deve consistir de duração de três minutos, com um período de um minuto de descanso entre os rounds", continua a carta. "Quando variações são feitas como rounds encurtados, tamanhos de luva fora dos padrões e algo parecido, a competição não é mais boxe profissional."
A mensagem parece ser direcionada a muitos eventos de celebridades, particularmente a luta entre Jake Paul e Mike Tyson realizada no ano passado em Arlington, EUA. Na ocasião, Tyson foi permitido lutar aos 58 anos de idade contra um youtuber 30 anos mais jovem, num combate de oito rounds de dois minutos cada com luvas de 14 onças (o padrão é de 10 onças). A pedido de Tyson, o Departamento de Licenciamento e Regulação do Texas, responsável pela regulamentação do evento, considerou a luta como oficial, algo que, segundo a definição da ABC, não deveria ter ocorrido.
"A Associação de Comissões de Boxe acredita que comissões regulatórias devem regular todos os esportes de combate pela segurança dos participantes, e lutas de celebridades e outros eventos que se afastam das regras verdadeiras do boxe não deveriam ser chamadas de ''boxe profissional''. Seja uma exibição ou luta não convencional, em que não há uma decisão, ou uma luta em que uma (decisão) seja determinada, a não ser que regras padrões do boxe sejam utilizadas, é uma fraude se for considerado um evento profissional de boxe. É carregado de malefícios como o risco de desequilíbrios, manipulação de apostas e perigos para os participantes", diz o comunicado.
A ABC, contudo, também esclareceu que não é contra a realização de lutas de boxe com regras modificadas; o próprio presidente da entidade, Mike Mazzulli, vai chefiar a regulamentação da luta entre o youtuber KSI e o lutador de MMA Dillon Danis em 29 de março, em Manchester, na Inglaterra. Porém, a associação exige que lutas como esta sejam consideradas exibições, como será o caso neste confronto particular.
Nota do Editor: Foi um avanço no sentido da moralidade esta decisão e sua divulgação também. Contudo, no Brasil, nada acontecerá de novo. Os "promotores" continuarão se utilizando de alguns equipamentos do Boxe para fazer fortuna com os confrontos envolvendo celebridades e ex-boxeadores. Entidades reitoras do Boxe brasileiro ou outras criadas exclusivamente para homologar e supervisionar essas "lutas" se prestam a isso para ganhar algum dinheiro. Alegam "não estar fácil para ninguém...". Na falta de uma entidade coordenadora, seria o Ministério dos Esportes o responsável para definir o que é Boxe profissional e acabar com as fake news envolvendo determinados eventos quase que hegemônicos em relação à real modalidade. Alguém acredita no Ministério dos Esportes?